
Quem tem medo do Pix se “borra” todo com o Drex
A ironia dos tempos modernos é que o ex-presidente norte-americano Donald Trump, aquele mesmo que tratava criptomoedas como ameaça e instrumento do crime organizado, agora se apresenta como paladino da liberdade financeira — e, mais do que isso, como empreendedor do setor. Lançou sua própria “TrumpCoin”, vendendo tokens digitais e NFTs temáticos por milhões de dólares, enquanto flerta descaradamente com a base libertária que idolatra o Bitcoin como antídoto ao “sistema”. Se o discurso é contraditório? Sim. Se rende votos? Também. E dinheiro? Principalmente. Nesse mesmo tabuleiro geopolítico, onde tudo é moeda de troca (literalmente), o Pix brasileiro se tornou alvo de desconfiança por parte dos Estados Unidos. Questionamentos sobre segurança, rastreabilidade e supostos riscos de uso indevido da ferramenta vêm sendo enviados a Brasília com uma insistência que beira o incômodo. A leitura é óbvia: quando o sistema financeiro público de um país em desenvolvimento começa a funcionar bem demais — a ponto de incomodar — a reação do “mundo livre” é, no mínimo, previsível. O Pix é revolucionário, mas incomoda. Incomoda bancos, incomoda bandeiras de cartões, incomoda fintechs oportunistas e, agora, incomoda até o governo dos EUA. Um sistema gratuito, instantâneo e de ampla inclusão financeira não combina com o script do rentismo tradicional. Não à toa, o Ministro Fernando Haddad foi categórico: privatizar o Pix está fora de cogitação. Mas talvez nem ele imagine o tamanho do rebuliço que vem por aí com o Drex. Drex: o próximo capítulo (ainda mais assustador) Se o Pix é a primeira cena do filme, o Drex — a versão digital do Real — promete ser o roteiro completo de uma nova era financeira no Brasil. Trata-se de uma moeda digital de banco central que não é criptomoeda como o Bitcoin, mas também não é papel-moeda como o Real de hoje. O Drex é Real, sim, mas digitalizado, programável e inserido em uma infraestrutura de blockchain permissionada desenvolvida pelo Banco Central. E o que assusta os que já se incomodam com o Pix é justamente isso: o Drex não elimina intermediários — ele redefine o que é intermediação. Quando empresas e pessoas puderem transacionar com contratos inteligentes, fazer empréstimos automatizados, pagar impostos de forma integrada e operar ativos tokenizados — tudo isso dentro da estrutura do Drex —, o papel dos bancos, das adquirentes e dos “gatekeepers” do dinheiro muda radicalmente. Quem vive do atraso, da fricção e da burocracia vai perder espaço.




